SICEPOT-MG promove um fórum sobre custo horário de equipamentos com DER-MG e FGV
O SICEPOT-MG recebeu um importante debate técnico e institucional para o setor de infraestrutura de Minas Gerais: o Fórum Custo Horário de Equipamentos/SICOR-MG.

No dia 1º de setembro de 2026, a sede do SICEPOT-MG recebeu um importante debate técnico e institucional para o setor de infraestrutura de Minas Gerais: o Fórum Custo Horário de Equipamentos/SICOR-MG.
O encontro teve como objetivo analisar, com embasamento técnico de forma aprofundada, a defasagem dos parâmetros que compõem o Custo Horário de Equipamentos (CHE) nas tabelas referenciais do SICOR-MG baseadas no SICRO, além de apresentar propostas de correções consideradas urgentes e necessárias para garantir a sustentabilidade jurídica e econômica dos contratos.

A abertura do Fórum foi conduzida pelo presidente do SICEPOT-MG, Bruno Ligório, e pelo vice-diretor-geral do DER-MG, Anderson Tavares.
O Fórum representou um importante momento de integração técnica. O evento contou com a participação presencial de:
Diretores do SicepotMG;
Corpo técnico de orçamento e custos do DER-MG, formado por 38 profissionais, - evidenciando a relevância atribuída pelo órgão ao tema;
Especialistas da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), instituição responsável pelo desenvolvimento e pela formulação metodológica do sistema a serviço do DER-MG;
Equipe da Câmara Técnica do SICOR MG;
Membros da Comissão de Valorização e Defesa da Engenharia do SICEPOT-MG;
Membros e especialistas da Comissão de Equipamentos do SICEPOT-MG.
Ao destacar a dimensão e a representatividade do encontro, o consultor José Celestino Marini comparou o Fórum a “quase um congresso”. Segundo ele, a ampla participação demonstrou o respeito e a relevância da interlocução estabelecida entre o setor produtivo, o órgão contratante e a academia.
Um dos principais resultados do Fórum foi a convergência de entendimentos em relação às defasagens identificadas. Os estudos apresentados pelo Sindicato sobre o custo horário de equipamentos foram bem recebidos pela FGV e pelo DER-MG, que reconheceram a consistência da fundamentação técnica e a necessidade de reestruturação dos critérios adotados.

PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES APRESENTADAS
Durante o Fórum, foram apresentados os parâmetros fundamentais do CHE que necessitam de correção imediata:
Adoção da Taxa SELIC para o Custo de Capital (O Principal Avanço): O SICOR-MG adota uma taxa de juros de poupança irrealista de 0,5% a.m. (6,17% a.a.), enquanto o SICRO trabalha com 6,0% a.a. Essas taxas são incompatíveis com o custo real de financiamento e aquisição de frota. O SICEPOT-MG reivindicou a substituição imediata dessas taxas pela Taxa SELIC (atualmente em 14,0% a.a.), alinhando a remuneração de capital ao patamar praticado nas análises de BDI. A proposta foi um dos pontos de maior convergência durante o encontro.
Revisão das Horas Trabalhadas por Ano (HTA) e Relação Operador/Equipamento: Ambos os sistemas calculam a depreciação e manutenção assumindo que todas as máquinas operam com motor ligado durante 100% das 2.000 horas do turno anual disponível. Na prática, isso ignora paradas para checklist, revisões, DDS, deslocamento e intercorrências operacionais. A proposta é revisar a HTA para 600 horas/ano para equipamentos de produção e 1.200 horas/ano para equipamentos de apoio (trabalho descontínuo). Essa mudança ajusta a vida útil em anos e recalcula a relação homem/máquina de 1:1 para fatores reais entre 1,40 e 1,60 (acréscimo de 40% a 60% na mão de obra de operação necessária).
Consumo Real de Diesel e Lubrificantes: Adotar o coeficiente padrão estudado de 0,18 l/kWh para todos os equipamentos movidos a diesel. Esse índice reflete as médias reais de consumo operacional de mercado integradas a lubrificantes e filtros (coeficiente de 0,16 l/kWh mais 15% a 20% de acréscimo para lubrificantes/filtros/graxas).
Inclusão de Seguro de Máquinas e Equipamentos: O Fórum reiterou que os custos de seguros contra sinistros, danos e furtos de equipamentos em obras urbanas e rodoviárias (com taxas anuais variando de 1% a 3% do valor de aquisição) são práticas correntes de mercado que devem ser incorporadas como custos de propriedade do equipamento.
De forma muito positiva, a equipe da FGV e a diretoria técnica do DER-MG se comprometeram a analisar e aplicar as devidas correções a essa distorção pontual que penaliza fortemente os orçamentos das obras no estado.
Além dos estudos técnicos e das premissas debatidas — como taxa de juros, HTA e consumo —, o SICEPOT-MG estabeleceu com o DER-MG e a FGV uma agenda de trabalho de curto e médio prazos, estruturada em três frentes principais:
Cálculo em condições pesadas: estabelecer procedimentos metodológicos claros para a publicação do cálculo de custos operacionais em condições severas de trabalho, aspecto que ainda não está regulamentado nos manuais;
Estudo de locação de equipamentos especiais: pesquisar e publicar custos referenciais de locação para frotas e equipamentos especiais, contemplando uma modalidade em expansão no mercado e ainda não abrangida pelos sistemas atuais;
Revisão dos coeficientes de manutenção: realizar um estudo aprofundado dos coeficientes de manutenção (K de peças) e da correta proporção do custo de mão de obra de oficina.
Fonte: SICEPOT-MG




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